sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Com a boca cheia de formigas

Vertiginosamente as palavras fluem
Os desejos me constipam
E sou inundada por um padrão desorganizado de sentimentos

Balbucio frases abortadas que jorram e não se cansam
Arrasto-me até um gramado cheio de formigas e ali me deito
Violada pelo meu senso crítico submeto-me à minha insensatez
O meu descontrole pulsa em meus dedos
E estes digitam, freneticamente, uma colcha de retalhos
Histórias que se emendam mas não se completam

Minha boca deve se fechar, entretanto, não o faz
Estática em minha impulsividade
Remôo o doce e o amargo da palavra dita e elas se perdem
E enlouqueço com a possibilidade de proferir a própria loucura
Mas dispenso o silêncio gélido e sinto-me derreter sobre a grama


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fidem Habui

Deitada, eu orei. Fechei os olhos bem apertados e orei.
Uma dose de veneno e orei.
Pedi o que sempre peço a Deus, a São Miguel Arcanjo e a Nossa Senhora Aparecida: paz de espírito.

A paciência, embora seja uma virtude a qual eu quase desconheça, utilizei-a. Algo quase que inconcebível nessas circunstâncias... Não é difícil supor que meus pensamentos rumavam caminhos estreitos e que me desagradavam consideravelmente, para não falar em "loucura".

Levantei e decidi que leria para me distrair. "Comer Rezar Amar" de Elizabeth Gilbert estava na estante há meses, (a leitura tinha se tornado tediosa e arrastada). Retomei o livro de onde havia parado, de acordo com aquele pedacinho de papel de cores nada convitativas.

Logo me deparei com as exatas palavras que eu mais precisava ouvir:
"Se você estiver sentindo algum desconforto, então deve meditar sobre esse desconforto, observando o efeito que a dor física exerce sobre você. Nas nossas vidas reais, estamos constantemente pulando de um lugar para outro para nos ajustar ao desconforto - físico, emocional e psicológico - de modo a evitar a realidade da dor do incômodo. A meditação Vipassana ensina que a dor e o incômodo são inevitáveis nesta vida mas, se você conseguir enraizar-se na imobilidade por tempo suficiente, com o tempo irá vivenciar a verdade que tudo (tanto o desconfortável quanto o que é delicioso) um dia irá passar."

Se foi o contexto, as próprias palavras ou sorte, eu não sei. Desconheço a racionalidade destes 40 minutos de vida. A única certeza é que "quero Deus dentro de mim, quero Deus brincando em minha corrente sanguínea da mesma forma que a luz se diverte sobre a água".


*Fidem Habui: Tenham fé