sábado, 16 de julho de 2011

Sinapses

Uma coisa vazia alojada no peito.
Uma sensação forte de sabe-se lá o que... Talvez medo, talvez angústia, talvez os dois.
Você tenta ocupar a mente, mas sabe que algo não está certo.
E quando você acende um cigarro aquela coisa se agarra à sua pele e a mente padece.
Bons filmes e ansiedades alheias não preenchem, e no fim das contas você não sabe se quer ser "preenchido". Não falta nada, você pensa. E possivelmente não falte mesmo, tudo que é preciso são algumas horas de sono, vazio, limpo, sem memórias de lugar algum, e acordar acreditando que não há nada errado, foi só um momento ruim, uma hora ruim... Mas nada é por acaso, e você sabe disso, mas com sorte você esquece.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Comentário

A ansiedade é como uma doença auto imune temporária. Uma vez dentro, ela te destrói.
Os pensamentos se tornam podres e defeituosos, quase incestuosos.
O coração bate com tanta força que chega a ser sonoro em um estádio de futebol.
O pulmão parece inútil, pois quanto mais ar você puxa menos você sente ele entrando.
Tabaco não ajuda. Bebida se torna sinônimo de analgésico.
Mas no fim do dia, quando você se deita, é visível os sintomas de angústia.
Você rola para um lado depois paro o outro, mas o que está feito está feito.
E o que está por vir está longe de ser bonito.
Seus impulsos começam a te corroer, um a um. Impulsos tão podres quantos os pensamentos.
Precipitações e erros aumentam vertiginosamente.
Nada parece certo, e se parece é só aparência.
Eventualmente tudo será varrido para debaixo do tapete, mas o que está feito está feito.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Esfinge

Às vezes os olhos, às vezes o espelho
Às vezes paprica, às vezes açafrão
Abro a porta e me sobra a imaginação
Fecho a porta e me resta o reflexo

Não sei mais se é cigarro ou perfume
O abraço parece o último
O asfalto pede meus pés

Teus olhos querem o que vêem
Meu corpo prefere a ausência
E ainda nada é o que parece

terça-feira, 21 de junho de 2011

Desapego

Não acho mesmo que você deveria me deixar esperando. Eu sinto algo e gostaria de descobrir o que é, mas não posso fazer isso sozinha. Você pode ser o que você quiser, desde que não seja um desconhecido. Não me importo de ser mais alguém de sorriso fácil na sua vida, mas me importo de não te ter por perto. Talvez seja loucura e completa insensatez sonhar alto, mas viver é só uma vez, e eu pretendo fazer isso intensamente, mesmo que eu erre, e eu erro. Aprendi que não devo desistir mas, eventualmente, tenho que seguir em frente. Melhor com você, igual sem você.
Não me entenda errado, eu me importo, mas não vou te obrigar a ficar, porque eu me importo mais comigo. E no fim das contas, não é difícil perceber que há faíscas de paciência em mim, mas elas estão ocupadas comigo, então me desculpe se eu não olhar para trás.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Devaneando por aí

Não acho mesmo que "temos o que merecemos". Digamos que eu dispensaria algumas vivências, embora a maior parte delas me fazem ser o que sou hoje. Minha ideia seria que não recebemos mais do que podemos aguentar, e por mim tudo bem, porque nem tudo é perfeito, e no fim das contas, se nada parece bem é porque não acabou...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A gravidade é uma coisa engraçada
Uma hora você está com alguns kilos
E na outra mal consegue se por para fora da cama
Com o mundo nas costas
Sem paciência para finais felizes

E ainda sim você sorri...

domingo, 17 de abril de 2011

Um dia de cada vez

Eu nunca entendi ao certo o porque da polidez de se perguntar a alguém como a pessoa está e o inexplicável "tudo bem". Fiz várias teorias para isso, algumas consideravelmente estranhas e outras vergonhosamente insensíveis. Mas a vida não exige teorias e dilemas, apenas simplicidade e complexidade convivendo harmoniosamente. Então, o "tudo bem" é uma resposta acalentadora, não necessariamente verdadeira, é quase um desejo... É como sorrir na rua para um estranho e ser retribuído com um sorriso tímido ou lacunoso, não importa, ainda sim preencherá seu dia! As pessoas se importam umas com as outras, isso é verdade; não o tempo todo, e isso também é verdade. Mas o "tudo bem" e o sorriso aleatório no ponto de ônibus é uma compreensão mútua de que todos temos nossas próprias batalhas, todos os dias lutamos contra algo e até contra nós mesmos, tudo em busca de um sorriso sincero, e o primeiro que deve importar, o nosso, para que assim possamos buscar os demais sorrisos sinceros perdidos por aí... Um dia de cada vez.