E os pés pelas mãos continuam deliberadamente se atropelando
Esvoaçando os papéis e o cabelo em um andar apressado
Ludibriando-se com ideias convergentes e perspectivas paradoxas
Platão estaria certo quando diz que o poeta é um imitador da realidade
Tal como uma pintura
Ou nosso reflexo no espelho?
Então, se minha dor e minha alegria se transbordam em poesia
Talvez seja apenas mentira?
Sou feliz em meus extremos e em minha falta de equidade
Sou justa
Mas não há de ser isso a mesma coisa para ti, Aristóteles?
Ou tu brincas com minhas virtudes e vícios como se houvesse qualquer predestinação?
Estás inseguro em sua pose de concreto, que lhe traz paz mas não conforto, em meio a confusão de Sólon, não é?
Tenho minhas dúvidas quanto ao seu pendor ao critica-lo...
Será que só seria feliz quando tudo estiver acabado?
Faria sentido?
Não importa... Eu aprecio o fato de a equidade perdoar as minhas falhas humanas, e as continuarei cometendo, mas não por intenção, entretanto por ignorância premedita, o que achas agora?
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